Executivo de banco estatal defende operação e atribui críticas à concorrência no mercado (Por Daniel Weterman)
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, banco controlado pelo governo do Distrito Federal, prometeu aumentar o número de funcionários em 50% em cinco anos com a compra do Banco Master. Atualmente, o Banco de Brasília tem cerca de 3,5 mil empregados.
Costa fez uma live com os funcionários do BRB na manhã desta segunda-feira, 31, em uma tentativa de tranquilizar os servidores e defender a operação, em meio às críticas que surgiram no mercado financeiro. O Estadão teve acesso ao áudio da reunião.
Em resposta à reportagem, o BRB afirmou que a realização de lives com toda a equipe é uma prática comum, “com o objetivo de esclarecer temas de relevância.”
“Hoje, o objetivo da live foi apresentar aos empregados a estrutura de compra de 58% do banco Master, e detalhar toda a estratégia e a lógica da operação, além dos benefícios para o BRB, para seus acionistas e para os seus clientes”, disse a instituição.
O BRB anunciou a compra de uma fatia do Banco Master na sexta-feira, 28. O negócio é estimado em cerca de R$ 2 bilhões. De acordo com as informações divulgadas pelo banco público, serão adquiridas 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto).
A compra ainda precisa ser autorizada pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na reunião, o executivo estimou que o processo, se for aprovado e passar pelas balizas dos órgãos de controle e auditorias, vai durar de seis meses a um ano para ser concretizado.
“Esse negócio também vai trazer uma série de oportunidades para as nossas pessoas. No plano de negócio que foi construído para sustentar esse novo conglomerado, há uma previsão de aumento do nosso quadro de pessoal em 50% ao longo dos próximos cinco anos”, disse o presidente.
“Ou seja, mais contratação, mais emprego, melhoria da nossa estrutura, aumento da nossa capacidade de competir, de prestar serviços adequados e melhoria da qualidade de vida de todos.”
A operação é polêmica porque parte importante do patrimônio que garantia a solidez do Banco Master era composta por precatórios (títulos de disputas judiciais contra governos), que são de recebimento incerto e tinham tratamento equivalente a títulos públicos no balanço.
O Master multiplicou por dez seu patrimônio e quintuplicou sua carteira de crédito desde 2021. Um dos motores desse crescimento foi a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDB) garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que pagam ao investidor taxas muito acima dos concorrentes, de até 140% do CDI.
O Banco Central reajustou normas que tocavam nesses dois pontos (precatórios e CDBs), o que obrigou o Master a adequar suas operações.
O presidente do BRB fez uma fala para justificar o interesse pelo Banco Master na reunião com os funcionários. A principal razão, segundo ele, é que o Master possui uma atuação em segmentos que são importantes para o Banco de Brasília e que, sozinha, a instituição teria dificuldade de alcançar, incluindo o cartão de crédito privado, os serviços de mercado de capitais como o câmbio e um banco digital, o Will Bank, que atende clientes de baixa renda.
A parte do Banco Master que será incorporada deve se chamar BRB Corporate Bank, segundo Costa. Ele fez questão de ressaltar que os ativos que não interessam ao BRB e que são considerados de risco foram retirados da negociação – entre eles os precatórios, os direitos creditórios de processos judiciais e fundos de investimentos em ações de empresas que não fazem parte do escopo do novo conglomerado.
O Master precisará fazer uma cisão de empresas e de ativos que ficarão de fora, segundo informou o executivo na conversa. “O nosso objetivo é trazer um banco Master menor, mais saudável, mais alinhado à nossa estratégia de crescimento”, disse o presidente do BRB. “As auditorias ainda estão em curso e qualquer ativo ou passivo de maior risco que nós não tivermos interesse em trazer pelo BRB não virá para cá.”
‘Tem uma oposição muito forte que não quer que o BRB avance’, diz presidente do banco
Ele ainda relacionou as críticas à operação com a concorrência no mercado, sem citar nomes de outras empresas. “Quando a gente anuncia uma operação desse porte com tanta relevância, é natural que haja muito ruído de comunicação, que as pessoas omitam a opinião sem nem prestar atenção e entender a estrutura”, disse Costa aos funcionários. “Pela primeira vez, a gente também tem uma oposição muito forte de concorrentes que não querem que o BRB avance em mercados relevantes e em segmentos que a gente nunca teve participação.”
Ao falar de números, o presidente do BRB afirmou que o banco se tornará a nona maior instituição financeira do País em carteira de crédito com a operação. A instituição passará a cuidar de R$ 112 bilhões em ativos totais, sendo R$ 72 bilhões da carteira de crédito. O capital do banco sairá de um patrimônio líquido de R$ 3 bilhões para R$ 10 bilhões com a compra do Master. Conforme o plano apresentado, os dois bancos vão continuar funcionando separadamente, e o que será unido inclui a gestão e a governança. (Fonte: Estadão)
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