Por que o financiamento no Brasil é tão caro? Por que quando um trabalhador financia um carro zero, ele terminará pagando dois, até três carros, mesmo tendo levado apenas um para casa? E por que o nível de inadimplência é tão significativo entre as famílias no país? A principal resposta para essas perguntas está no elevado nível de juros praticados pelo sistema financeiro brasileiro.
"Por isso que o movimento sindical bancário se une com outros movimentos sindicais em todo o país por menores juros e mais empregos", explica Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Os atos serão na terça-feira (18), quando o Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central (BC) voltará a se reunir para decidir a nova taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). "Nosso protesto é contra a política monetária definida pela entidade e que impacta nos juros cobrados em todo o sistema financeiro", explica Juvandia, que também é vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano e o Copom já deu indicação de aumentar a taxa para 14,25%. Com o nível atual, o Brasil já figura entre os países com as maiores taxas reais de juros (que é o resultado da Selic menos a inflação).
"Além de pressionar o Banco Central para baixar os juros, queremos chamar a atenção da população para que entenda o quanto a Selic alta afeta sua vida. Trabalhador bancário, você quer trocar seu carro? Saiba que por causa disso você vai pagar por dois carros, ao invés de pagar só por um. E você, taxista? Mesmo beneficiado pela isenção, por causa de decisões do Copom o seu financiamento também acaba saindo muito mais caro pra trocar seu veículo, instrumento de trabalho", explica o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção.
O secretário de Assuntos Socioeconômicos da entidade, Walcir Previtale, completa que a Selic elevada impacta no desenvolvimento do país, porque afeta negativamente a geração de emprego e renda. "Se o valor do crédito, ou seja, os juros cobrados para um empréstimo, são abusivos, o empresário não investe na ampliação do negócio e não abre mais vaga de emprego. Então, essa a luta pelos juros baixos, por uma Selic que não seja abusiva, é uma luta de todos nós", completou.