Fundos de pensão colocam risco internacional na sua aposentadoria

12/03/2025

 


Com mercado monotemático no Brasil, fundos de pensão estão indo em busca de risco fora do Brasil; entenda movimento atual (Por Renato Jakitas) - foto Paulinho Costa feebpr -

A impressionante valorização do S&P 500, somada a desvalorização do real frente ao dólar fizeram com que os fundos de pensão aumentassem a sua exposição em ativos internacionais.

No ano passado, o principal índice de ações do mercado americano subiu 25,5%. Já o dólar avançou 27,34% em 2024 contra o real, marcando assim a maior alta para a divisa dos últimos quatro anos.

Com isso, gestores que operam os fundos de previdência fechada, transatlânticos do mercado financeiro, conhecidos por inovarem pouco, começam a apimentar seus portfólios.

Boa parte dos fundos de pensão opera sob regras atuárias bastante rígidas. Entretanto, mudanças na legislação em 2019 abriram a possibilidade de flexibilização.

Eles, então, dividem seus participantes entre modalidades de risco, e correm atrás de diversificação. Isso para além do tradicional título público atrelado a inflação, o IPCA+ de longa duração.

Fundo de pensão do BB

Na Previ, que é o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 34,5 bilhões, a alocação máxima definida para os investimentos no exterior está em 8,05% do portfólio.

Historicamente, até este ano a Previ tinha um mandato para alocar entre 0,5% a 4% em ativos internacionais.

“Os fundos têm buscado incrementar seus portfólios com investimentos no exterior”, afirma Marcel Andrade, que lidera a área de asset alocation da SulAmerica Investimentos.

“Essa é uma classe que ganhou apetite nas carteiras dos investidores institucionais ao longo do tempo”, diz.

Risco do risco

Para além do investimento em ações, operação tradicional de trade, os fundos também estão de olho em operações arriscadas de renda fixa.

Neste momento, os gestores estão se posicionando em operações de carry trader, para capturar o diferencial de juros entre países.

Numa operação de carry trade, o gestor empresta capital em mercados com taxas baixas, mas para investir na renda fixa de países com juros elevados.

” Essas exposições podem ser realizadas através de fundos de investimentos locais, os feeder funds, que assim dão acesso aos veículos offshore “, conta Andrade.

Ele explica que, geralmente, os fundos optam por instrumentos de proteção, como o hedge cambial, para isolar o risco da moeda daquele que é o foco, o juro.

É o que tem feito a Vivest, que administra cerca de R$ 40 bilhões para funcionários de empresas de grande porte, como a Ford do Brasil.

Em seu relatório, a gestora conta que o foco é construir o carry trader entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos, numa estratégia chamada portable alpha.

Fundo de pensão e renda variável
Na renda variável, no entanto, a aplicação geralmente se dá via o índice global do Morgan Stanley Capital International, o MSCI Global. Aqui, a variação cambial entra para o jogo.

O índice é um compilado de grandes ações, como as sete magníficas do S&P, (Apple, NVidia e companhia), além de bancos como JP Morgan Chase. (Fonte: Inteligência Financeira)

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