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Pasta do Trabalho será fatiada: área sindical ficará com Moro

04/12/2018

 

Medida anunciada por futuro ministro contraria declaração do presidente eleito. Relator da "reforma" trabalhista, que não conseguiu reeleição, pode ganhar cargo

Ministério criado em 1930 deverá deixar de existir com novo governo, que quer mexer em mais direitos

São Paulo – O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse nesta segunda-feira (3) que o Ministério do Trabalho será dividido em três, com as respectivas áreas sob comando da Economia, da Justiça/Segurança Pública e da Cidadania. A afirmação, feita em entrevista à Rádio Gaúcha, contraria declaração feita em novembro pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de que o Trabalho continuaria com status de ministério em seu governo: seria, por suas palavras, um ministério "disso, daquilo e do Trabalho".

"O atual Ministério do Trabalho, como é conhecido, ele ficará uma parte no ministério do doutor Moro, outra parte com Osmar Terra e outra parte com o Paulo Guedes", afirmou Lorenzoni. Uma das áreas sensíveis da pasta, a concessão de registro sindical, ficará justamente sob o comando do ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro.

A área de registro sindical foi objeto da Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal, que envolveu políticos do PTB (que comandava o ministério) e do SD. O então ministro, Helton Yomura (PTB), caiu devido ao escândalo.

Outro setor importante, o de fiscalização contra o trabalho escravo, também deve ir para a Justiça. É um setor sempre na mira da bancada do agronegócio. Houve mais de uma tentativa de "flexibilizar" o conceito de trabalho escravo. Os grupos móveis de fiscalização foram criados em 1995 e já foram responsáveis pela libertação de mais de 50 mil trabalhadores. 

"A parte de fiscalização vai lá junto para o Moro, se não me falha a memória. A princípio deve ficar também com doutor Moro", disse Lorenzoni. Já políticas públicas de emprego devem ficar em parte com Paulo Guedes (Economia), um ultraliberal.

Para completar, o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) é cotado para ocupar um cargo de adjunto na Secretaria de Trabalho e Previdência, que deve fazer parte do "superministério" comandado por Guedes. O parlamentar foi relator da "reforma" trabalhista. Mesmo com muitos apoios de empresas na campanha, não conseguiu se reeleger, assim como o ex-ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira, deputado pelo PTB gaúcho. (Fonte: RBA)

 




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