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Campanha 2018: não há razão para demissões nos bancos

25/07/2018

 

Nesta quarta, Comando Nacional dos Bancários cobra da Fenaban garantia dos empregos em um setor que, apesar dos lucros astronômicos, eliminou mais de 57 mil postos de trabalho  desde 2012. Categoria também reivindica cláusulas contra contratos precários previstos na nova lei trabalhista

Redação Spbancarios, com Contraf-CUT

 

Arte: Contraf-CUT

Em 2017, os cinco maiores bancos no Brasil (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa) lucraram, juntos, R$ 77,4 bilhões, crescimento de 33,5% em relação a 2016. Só no primeiro trimestre deste ano, os mesmos cinco já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que no mesmo período de 2017.

Mesmo com lucros astronômicos, o setor bancário extingue empregos. Entre janeiro de 2012 e junho de 2018, eliminou 57.045 postos de trabalho, o que representou uma redução de 11,5% na categoria neste período. No primeiro semestre deste ano, o total de vagas extintas já chegou a 2.846 vagas. Os dados são do Caged.

“Um setor que não está sendo atingido pela crise financeira, pelo contrário, que tem lucros cada vez maiores, não tem nenhuma justificativa para cortar empregos. É isso que vamos deixar claro na negociação com a Fenaban, nesta quarta 25”, diz a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria na mesa com a federação dos bancos.

Os trabalhadores também reivindicarão proteção contra contratos precários, previstos na nova lei trabalhista (lei 13.467), como intermitente, terceirizado e hipersuficiente (veja abaixo). “A lei trabalhista, que é fruto do golpe e foi feita sob encomenda para maus empresários, ameaça a categoria bancária. Um dos pontos da nossa pauta é garantir cláusula na CCT que impeça os bancos de substituírem bancários por terceirizados ou por intermitentes e temporários”, destaca Ivone. 

A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que coordenada o Comando ao lado de Ivone Silva, reforça: “Queremos respeito aos empregos e também garantir na CCT que os bancários não sejam trocados por trabalhadores terceirizados, nem pelas formas de contratação previstas na lei trabalhista do pós-golpe, como autônomos, interminentes”, reforça a dirigente que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, responsável por negociar com a federação dos bancos (Fenaban).

“Dados do IBGE dão conta de que um a cada quatro brasileiros estão a procura de emprego. Todo mundo tem um desempregado na família. E os bancos, com todo o lucro que têm, em vez de ter compromisso e não gerar ainda mais desempregos, estão contribuindo com esse desastre social”, critica Juvandia.

#EmpregoÉbomeEugosto

A mesa sobre emprego, que será a quarta rodada de negociação com a Fenaban, ocorrerá em São Paulo, nesta quarta-feira 25. Os bancários de todo o país, trabalhadores em geral e a população podem se mobilizar por mais contratações nos bancos pelas redes sociais com a hastag #EmpregoÉbomeEugosto. 

A mobilização nas redes durante a mesa anterior sobre saúde foi um sucesso, com a hastag #QueroTrabalharEmPaz ficando em quarto lugar entre os dez assuntos mais comentados no Brasil.

Também nesta quarta-feira 25, os bancários estarão mobilizados em todo o país em Dia Nacional de Luta em defesa dos planos de saúde das empresas públicas, entre eles Cassi e Economus (dos funcionários do Banco do Brasil) e Saúde Caixa.

Sobrecarga que adoece e custa caro à sociedade

Além de levar o desemprego para milhares de famílias brasileiras, os cortes promovidos pelos bancos transtornam a rotina dos bancários, fazendo com que a quantidade de trabalho que cada um deve realizar só aumente. O número de clientes por empregado subiu 13,3% no Bradesco; 6,9% no Santander; 14% na Caixa; 6,9% no Itaú; 6,7% no BB. Isso se traduz em sobrecarga, estresse, pressão por metas, assédio moral e o consequente adoecimento.

“Um setor que bate recorde de lucratividade todos os anos há quase duas décadas, devolve à sociedade brasileira uma legião de desempregados e adoecidos”, ressalta Juvandia, lembrando que o setor foi responsável por apenas 1% dos empregos criados no país, mas 5% dos afastamentos por doença, entre 2012 e 2017 (de acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho). Assim, é também o que mais gera gastos ao INSS: 6% do total de recursos para afastados são consequência do modo de gestão dos bancos.

São responsáveis, ainda, por 21,2% do total de afastamentos do trabalho por transtorno depressivo recorrente, 18% por transtornos de ansiedade, 14,6% por reações ao estresse grave e 17,1% do total de afastamentos do trabalho por episódios depressivos.

Saúde e condições de trabalho foi o tema da terceira rodada de negociação com os bancos, em 19 de julho. Apesar de estarem com a pauta de reivindicações da categoria desde 13 de junho, a Fenaban foi para a mesa sem respostas para as demandas dos bancários para solucionar o alto índice de adoecimento entre os trabalhadores do setor financeiro. (fonte: spbancarios)

 




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