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Mais um bancário vive momentos de terror em São Paulo

15/02/2018

No segundo caso do ano, família de funcionário do Itaú foi mantida em cativeiro por bandidos que amarraram falsa bomba em sua cintura para forçá-lo a sacar dinheiro na agência onde trabalha; em outro caso idêntico, banco ainda demitiu trabalhador após o trauma

O ano de 2018 apenas começou e dois bancários e suas famílias já foram vítimas de extorsão mediante sequestro na cidade de São Paulo. Em ambos os casos, os empregados – um da Caixa e outro do Itaú – foram obrigados a sacar quantias de dinheiro nas agências onde trabalham e tiveram falsas bombas atadas a seus corpos enquanto seus parentes eram mantidos sob a mira de armas de fogo.

O caso mais recente ocorreu na quinta-feira 8, em uma agência do Itaú na Vila São José, zona sul de São Paulo. “Fomos à agência para garantir o apoio psicológico aos bancários e estamos acompanhando o caso e cobrando junto ao banco a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)” afirma o dirigente sindical Paulo Antônio da Silva, o Paulão.

A CAT é um documento que serve para reconhecer um acidente de trabalho ou uma doença ocupacional – como é o caso de um trauma psicológico desenvolvido após o empregado passar por uma ação semelhante como as descritas acima. É obrigação do empregador emitir o documento que é imprescindível para dar entrada em pedidos de afastamento pelo INSS. Caso a empresa se negue, o trabalhador pode requisitá-lo nos centros de referência em saúde do trabalhador ou no Sindicato.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não divulga casos de extorsão mediante sequestro nas suas estatísticas, mas o Sindicato identificou aumento de casos envolvendo bancários. Em um exemplo, outro funcionário do Itaú passou pela mesma situação, em maio do ano passado.

“Amarraram a bomba na minha cintura, levaram minha esposa e meu filho para um cativeiro em um local bem deserto que os próprios policiais me disseram que nem mesmo a polícia vai lá. Fui para a agência, [os bandidos] falaram que tinha gente me seguindo, que tinha gente [da quadrilha] dentro da polícia. Foi um terror que você não tem ideia. Eu pensava em rezar para que tudo terminasse bem."

Depois de passar pelo trauma, o Itaú o afastou por 15 dias para investigações. Ele desenvolveu síndrome do pânico e passou a tomar medicamentos. Mesmo assim, insistiu em voltar ao trabalho. “A única coisa que o banco fez foi mandar psicólogo em casa. Ela disse que ia iniciar um tratamento, o que não ocorreu. A minha superintendente não abriu a CAT. Quando voltei ao trabalho queriam me mandar para a mesma agência. Queriam que eu voltasse a mexer com dinheiro, mas eu disse que não tinha condições por causa do que aconteceu, começava a tremer.”

Seis meses depois de passar por todo esse sofrimento, o Itaú ainda demitiu o funcionário. “É inadmissível tratar como suspeito e demitir um funcionário que não viu outra alternativa a não ser entregar o dinheiro porque sua família estava em poder de bandidos”, afirma Carlos Damarindo. “Essa atitude reforça que o Itaú não tem a menor consideração com a vida dos seus trabalhadores e só se importa com os lucros”, acrescenta.

“É uma maldade (...) Viraram as costas, porque o que importa para o banco é o dinheiro, não querem saber do seu filho, da sua família, da sua saúde, da sua segurança”, desabafa o trabalhador.

Descaso
“A violência está aumentando por causa da crise econômica e do alto desemprego. A população e os bancários estão sofrendo, mas a Secretaria de Segurança Pública, como desde sempre no governo do PSDB, revela incompetência ou falta de transparência ao omitir informações e não contabilizar crimes que envolvem transações bancárias nas suas estatísticas, como as saidinhas de banco ou extorsões mediante sequestro de bancários, o que beneficia os bancos, que se utilizam dessa falta de informações para tentar enfraquecer o argumento da falta de segurança nas suas agências e sistemas”, afirma Carlos Damarindo, secretário de Saúde do Sindicato de SP e bancário do Itaú.

Uma das reivindicações históricas do movimento sindical e que a Fenaban – sindicato dos bancos – se recusa a atender é a abertura remota das agências, para evitar que os tesoureiros sejam responsáveis pela chave da agência.

Para se ter uma ideia do descaso dos bancos com a vida dos bancários, enquanto as cinco maiores instituições financeiras (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander) lucraram R$ 58,78 bilhões de janeiro a setembro de 2016, os investimentos na segurança somaram, em média, pífios 7,2% (ou R$ 4,2 bilhões) do total de lucros no mesmo ano.

“Que papel social é esse que os bancos dizem cumprir, mas lucram com a miséria e com a falta de segurança dos seus próprios trabalhadores que são os responsáveis por gerar os lucros do banco?”, questiona Carlos Damarindo. (Fonte: Seeb SP) do site FEEB-PR




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