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Itaú pressiona bancário a depor contra si mesmo

25/10/2017

Funcionário é chamado na auditoria para escrever carta admitindo erros e logo em seguida é demitido por justa causa. O movimento sindical orienta: os trabalhadores devem se recusar a fazer isso

O Itaú está pressionando bancários a “confessarem” erros para depois demiti-los por justa causa. Esses trabalhadores são chamados na auditoria, que fica no Ceic em SP, para redigir carta de próprio punho, ditada pelo representante do banco, admitindo ter realizado algo que vai contra a política oficial da instituição financeira. Logo em seguida, esse funcionário é desligado, e sem receber nenhuma verba indenizatória.

O Sindicato de SP orienta os trabalhadores a não redigirem a carta, ainda que o banco pressione. “O bancário não deve escrever a carta de jeito nenhum. Ele deve se recusar e procurar imediatamente o Sindicato que vai orientá-lo, inclusive juridicamente. Até porque o banco não tem esse poder inquisitivo”, diz o diretor do Sindicato de SP e bancário do Itaú Júlio Cesar Silva Santos.

O dirigente ressalta que os possíveis erros que os bancários possam ter cometido são resultado da própria política de imposição de metas inalcançáveis aos trabalhadores. O problema, segundo Júlio, é que quando esses erros se tornam reclamações de clientes a órgãos como o Banco Central, o Itaú tenta de eximir e jogar todo o problema sobre o trabalhador.

“O que acontece é que o assédio moral e a pressão por metas de vendas é uma política generalizada no Itaú Unibanco. E essa forma de gestão, que não é assumida pela instituição, acaba levando o bancário a cometer erros e a passar por cima da política oficial do banco. A venda casada é um exemplo.

Só que quando esses erros, que na grande maioria das vezes são estimulados pelos gestores, se transformam em reclamações de clientes, o Itaú tenta jogar toda culpa em cima do bancário, obrigando-o a assumir tudo sozinho, e ainda demite por justa causa”, denuncia. “O trabalhador não deve escrever carta nenhuma!”, reforça Júlio.

Consequências
O dirigente sindical informa que quando o trabalhador se recusa a redigir a carta, o banco o afasta por um período de mais ou menos 15 dias. É o tempo que o Itaú leva para analisar se vai demitir o bancário por justa causa ou se será dispensa sem justa causa.

“De qualquer forma, quando o bancário é chamado para a auditoria e pressionado a escrever a carta, ele será demitido. Infelizmente o banco está fazendo isso para eliminar postos de trabalho, e não está revendo suas práticas abusivas para o atingimento de metas”, afirma.

Júlio também aconselha os bancários a ficarem atentos às regras do banco e ao que diz o código do consumidor. “É importante que o trabalhador não desrespeite essa política ainda que esteja sendo pressionado pelo seu gestor a bater metas e a vender produtos. Paute-se pela ética e pelo que o banco declara como o correto”, aconselha. (Fonte: Seeb SP)




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